Para os santistas, descolados e moderninhos, eu era uma baiana ( nome pejorativo que os otários usavam pra quem se veste mal, pra quem tem mau gosto). E me chamavam de baiana sem nenhuma cerimonia.
E eu, ficava triste, claro. Eu tinha treze anos, estava na oitava série.
Mas como o meu santo é forte, os meninos nunca foram de entrar no grupinho dos que me enchiam o saco , e baiana ou não, com mau gosto ou não, eu tinha um grupo de admiradores masculinos que me mantinham com a cabeça acima do nível da água.
As surfistinhas me olhavam de cima abaixo e eu me recusava a mudar o meu jeito, minhas roupas ou qualquer coisa. Não iam ser aquelas pessoas que iam ditar quem eu seria, certo?
Mas eu queria ser igual, ah como eu queria...
Foi nessa época que eu conheci a Fabiana ( e somos amigas de coraçao e de alma até hoje). Ela também não fazia parte do grupinho das populares, ela era toda alternativa.
E um dia ela se engraçou com um amigo meu. Fiz o papel de cupido, fui lá falar com ele e voltei com a melhor das novidades:
- Ele te acha uma menina normal!!! disse eu radiante
Fabiana me fuzilou com os olhos.
- Normal? Normal? Como assim, normal? Quem é que quer ser normal? Que coisa mais medíocre.
Alí mesmo ela se desencantou do menino e eu descobri, aos 13 anos, que esse negócio de ser normal não estava com nada. A partir dalí, levantei a cabeça, chacoalhei a poeira e nunca mais, nunca mais dei voto prá quem não merecia.
Aprendi que o que a minha propria opinião vale 8 pontos. A nota máxima é 10. Todas as outras pessoas somadas, tem 20% do total. Mas também aprendi que média 8 tá bom demais!!! Não tenho necessidade nenhuma de fechar com 10.
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Every time I moved towns, the same story repeated itself. The bullying, the nasty jokes about my name, my small town accent, the way I walked - and in Santos, the bullies fav target was my taste of clothes.
They spared no energy in trying to make me feel bad, in ridiculing me and my style.
Of course it made me sad. I was thirteen, I was in eighth grade.
Lucky for me, boys were not bothered to pick on me, and I had enough male fans to keep my head above the water.
Despise how I felt, I never changed to get anyone's approval. I was not prepared to let others dictate who I would be, or what I would do.
Head strong or not, I wanted to fit in, I wish I was like everyone else.
It was around that time that I met Fabiana, who is my good friend until this day. She was quite funky, in her alternative way.
She had a crush on a friend of mine. Trying to play matchmaker, I run to talk to him and feel the water for her. I came back with the best news I could imagine:
- He thinks you're a normal girl! I said radiant
Fabiana glared at me.
- Normal? Normal? Who wants to be normal? How very mediocre.
The crush died imediately. She could not imagine someone calling her "normal"...
And at 13, I also realized there is no glamour in being "normal", in fitting in.
I decided my own opinion is worth 8 points. The maximum score is 10. All others added, makes for 20% of the total possible marks. I also learned 8 is more than enough...






