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sábado, dezembro 22

A vida ás vezes é uma merda! Life sucks sometimes!


Eu tinha seis anos quando nos conhecemos. Éramos vizinhas. Como minha mãe trabalhava fora, a mãe dela tomava conta de mim antes e depois da escola. Todos os dias.
E a irmã dela era a minha melhor amiga.
A Maribel, a bonitona aí da foto,. era nossa arqui-inimiga. Poucos anos mais velha, ela era muito "cool" prá andar com as pirralhas.
E a gente se engalfinhava de brigar, como se fossemos todas irmãs.
 
I was five when we first met. We were neighbours. My mom worked and her mother took care of me before and after school every day. Her sister was my "bestie"
Maribel, was our archi enemy. A few years older, she was too cool to hang with us or to have us around.
And we fought with her as much as we could ( not that she cared at all, but we still did!)
 
 
Maribel cresceu e continuou sendo "cool". Estudou, arrumou um emprego legal, foi viajar. Fez amigos, teve namorados, inventou moda.
Maribel pintou e bordou.
 
 
Maribel grew up and took life as it presented itself. She studied, found herself a nice job, she had boyfriends galore. She travelled, she partied.
 
 
 
 
E aí Maribel fez a coisa mais legal da vida dela, a Julia, e como ela gosta de ser do contra e fazer as coisas do jeito dela, ela e o pai da Julia resolveram não se casar, mas criaram essa princesinha juntos.Ela hoje tem 12 anos.  Foram um super casal, sem estar mais juntos.
Maribel teve outros namorados, teve outros empregos, fez outras viagens.
E um dia, sem mais nem menos, descobriu que tinha um probleminha no coração e precisava de um marca passo.
Hoje em dia todo mundo tem um desses, né? E a Mariba tinha 44 anos quando ela entrou na sala de cirurgia. O coração dela não gostou da intrusão e parou várias vezes na sala cirúrgica.
Os médicos colocaram o marca passo e o pega-'prá- capar começou.
Foram 28 dias de UTI. Dois relatórios médicos por dia.
A maioria deles nada animadora. Uma vez ou outra ela dava uma reagida, a torcida vibrava...
Depois a conversa voltava a ser a mesma. Estável. Estável. Estável.
No dia 21 de dezembro os Maias acertaram a previsão deles. O mundo acabou prá minha amiga.
 
And along came Julia. The best thing Maribel ever did. But she did not like to be like everyone else. She decided not to marry Julia's dad and they shared sustody of the kid and raised a fine young lady. She is now 12, and has the world at her feet.
One day, Maribel found out she had a heart condition.Few days later they booked a surgery to get her a by pass. She was 44 when she got into that room.
She was in ICU for 28 days.Two medical reports a day, every day.
The news were not very encouraging, but they said mainly the same: she is stable. And we waited.
After 28 days her heart gave up. She left us broken hearted.
The mayans were right; her world ended!
 
 



E ela está lá, nos braços do Pai, como nessa foto.
Descansa em paz, minha querida, a gente vai tocando o barco como dá, por aqui!!
 
And now she is there, on God's arm, just like she is in this picture.
rest in peace my dear friend!

domingo, julho 8

Dia triste / Sad day



Hoje nos despedimos de uma amiga querida, de uma guerreira sem igual. Deus resolveu levar prá junto dele a nossa querida Tina, lá do "Meu Cantinho na Roça". Perdoem por eu ñão postar o link, mas não consigo acessar nenhum blog aqui no Vietnam!
Essa mulher maravilhosa, lá do seu cantinho em Furnas, conseguiu tocar tantos corações mundo afora. Eram seus chazinhos todas as semanas, as fotos do café no pé, suas histórias da roça e o amor imenso com que ela falava do marido, dos filhos e dos netos que corriam na chuva, lá no terreiro, enquanto ela cozinhava no fogão a lenha.
Era tanto amor, tanto carinho, que ele transbordava do mundo virtual e vinha encher a nossa vida de alegria e azul. A Tina, que sempre tinha uma palavra amiga, uma oração na hora certa, um cafuné prá quem precisasse, hoje está lá no céu, sorrindo prá nós e tomando conta de todo mundo, como já fazia quando estava lá no seu cantinho.
Obrigada pelo carinho, pelo cuidado e pelo amor que você nos dedicou. Vá em paz, minha querida!

Today we lost a very special person. Tina, from a brazilian blog called "meu cantinho na Roça", left this world to join God and his angels.
This wonderful woman spared no effort to comfort who needed her. She always had a kind word to help people who reached for her.We will miss you, my friend!



Hoje aproveitei para visitar a catedral de Hanoi. Minha amiga, que mora aqui no vietnam há tempos, disse que ela nunca encontrou a caedral aberta. Nos aventuramos assim mesmo, e quando cheguei lá, sorri e agradeci - as portas estavam abertas e eu pude me ajoelhar em frente ao altar e fazer a minha prece para a Tina, minha amiga querida!!

And to farewell Tina, I visited hanoi's cathedral. My friend, who lives in Vietnam, said she never managed to visit the interior of this cathedral, as it is always closed. We decided to give it a go, and when we got there, we were surprised and grateful to find it's doors open. I had the chance to kneel and pray for my dear friend in a proper church.

quinta-feira, abril 5

Tchau Glorinha! Bye Glorinha!




Sao tres da manha. Acabei de ler no blog "cantinho she" que Glorinha de Lion se foi. Ela estava lutando contra um melanoma ha alguns meses e o seu ultimo post foi no Natal.
Depois disso ela deixou de nos dar noticias atraves da blogsfera e hoje, assim como ela entrou na minha vida, sem mais nem menos, ela se despediu e partiu.
Estou zonza, grogue e sem saber o que fazer ( o que se pode fazer???)
Sai desembestada, tentando avisar os blogueiros de quem eramos amigas comuns. Ai fui ao blog dela, peguei a "lista"dos 56 comentaristas do ultimo post dela e comecei a avisar um por um.
Ai cai em mim - percebi a inutilidade da acao e parei.
Nao por que eu nao me importe, nao por que nao esteja doendo. Mas por que agora ja nao ha amis o que se fazer.
A Glorinha vai alegrar outra freguesia a partir de agora. Ela vai dividir seu amor, seu carinho e seus cuidados em outro plano, em outra esfera. E eu tenho certeza, nao vai deixar de cuidar dos seus, aqui na Terra.

Obrigada pela amizade virtual e pelo carinho mais que real. descanse em paz, Glorinha!

sexta-feira, outubro 28

SIMON PETERS


Ha mais de dois anos eu perdi um grande amigo. Um dia ele se levantou, se trocou pra sair, cambaleou e caiu morto no meio do quarto.
Nao avisou ninguem, nao deu sinais de que ia dar o pira.

 

Foi um baque que eu nao estava preparada pra receber. Soube da noticia pelo Facebook, o filho dele me escreveu contando quando eu estava em Orlando, em ferias com a minha familia. Liguei e ainda consegui falar um pouco com a familia dele que eu tanto amo.

 

Menos de uma semana depois foi a vez da Beth, minha amiga e conselheira, me abandonar nesse mundao. Depois disso perdi o Ian, um outro amigo, exatamente da mesma forma. Consegui escrever tributos a eles, Ian e Beth, mas nunca escrevi nenhuma linha aqui sobre o Simon.


 

Planejei, pensei, ensaiei e nao escrevi nada.

 

Tenho ate hoje todos os e mails que a gente trocava ( as vezes eram 20 na mesma noite), tenho as fotos dos jantares, das festas, das visitas. Mas acima de tudo, tenho o coracao cheio de saudade. E de amor por esse cara que significou tanto na minha vida.

 

O Simon foi meu mentor, foi meu amigo, foi meu conselheiro. ele me deu broncas, colo e carinho. Sempre. E riu muito. Riu de mim e riu comigo.

 

Foi ele quem me deu meu primeiro emprego na Nova Zelandia. Diz ele que achou engracado quando no fim da entrevista eu perguntei: e ai - vai me dar o emprego?

 

Ele riu. Foi a primeira vez que ele riu de mim ( e comigo).


 

O que ele nunca soube e que eu nao queria aquele trabalho de jeito nenhum. Tinha ido a entrevista pro Fabio parar de me encher o saco pra trabalhar, mas nao queria ir trabalhar em call centres. nao queria, nao queria, nao queria.

 

Mas quando ele me ofereceu a posicao, acabei aceitando, sei la por que. Eu nem imaginava que esse seria um dos melhores empregos da minha vida. Nem me passava pela cabeca que aquele call centre ia me dar a maior experiencia profissional e pessoal que eu ja tive.


 

Nos primeiros meses, eu detestava o trabalho, a empresa, TUDO. E toda sexta feira eu me demitia. Ficava brava com alguma coisa e me demitia. E ele nao aceitava a minha demissao, dizia que hoje nao ia dar nao, que eu por favor voltasse amanha. O fim de semana passava, os animos se acalmavam e eu ficava mais uma semana. Ate a proxima sexta, quando ahistoria se repetia.

 

Me lembro de duas vezes ter me sentido profundamente ofendida. E ele sabia exatamente o que estava fazendo...


 

Uma vez ele me comparou com uma outra funcionaria, que vivia tete a tete comigo nas competicoes de vendas. Ele disse:


 

- A Dani tem muita paixao.


 

- o que? E eu? Eu nao tenho paixao?

 

- Ah, ate tem. Mas nao pelo emprego.


 

Fiquei tao puta da vida que mostrei pra ele direitinho quanta paixao eu tinha por aquele trabalho...

 

Em quatro anos ele foi promovido na empresa 3 vezes - e eu fui ocupando a vaga que ele deixava vazia. Quando ele se demitiu para ir pra uma empresa melhor, eu fiquei puta da vida - e queria ir junto a entrevista por que eu tinha que gostar do meu futuro emprego. Quando ele fosse promovido, eu poderia ir la me oferecer pra vaga dele e explicar que era uma progressao natural...


 

A segunda ofensa veio ainda quando eu trabalhava como atendente do call centre. Estavamos eu e uma amiga conversando e ele falou:


 

- Karin, voce seria otima em key accounts ( a elite do call centre)


 

- E eu?


 

- Voce nao.


 

Naquela epoca ele era gerente de Key Accounts - meses depois a gerente de key Accounts era eu. Mostrei pra ele quem e que nao ia ser boa em Key Accounts... Ora faca me o favor!


 

E a gente vivia brigando por isso. Eu dizia:

- Ta vendo? Engoliu bonito. Quem e que disse que eu nao podia ser Key Accounts?


 

- Nao podia ser atendente...nao podia ser atendente..


 

Mas a discussao durava pra sempre. E eu dizia que eu ia ter 90 anos, ele ia ter 110 e a gente ainda ia estar brigando pela semantica dessa discussao do passado.


 

Quando nossos caminhos profissionais se separaram, eu ligava pra ele para pedir conselhos, para dividir preocupacoes, pra jogar no colo dele tudo o que me aborrecia. e ele, com a maior maestria do mundo, picava meus problemas em pedacinhos pequenos e me devolvia pra ser mastigado e engolido.


 

O cara era uma fera. Era competente, dinamico e via anos luz a frente de todo mundo. AMs ia embora as 5 da tarde. Nao ficava esquentando assento na empresa nao. Chegava no horario e saia no horario, por que ele tinha mais o que fazer.


 

E fazia. Simon cozinhava, Simon dancava, Simon era festeiro e adorava o seu vinhozinho. Simon era super pai, super marido, super amigo. ele irradiava luz onde passava.

 

Uma vez eu comentei com ele que a minha sogra estava chegando em Auckland com as criancas. Sem ninguem pedir, ele foi ate o aeroporto, pegou as tres, atravessou com elas ( e muuuitas malas) pro terminal domestico e despachou as tres pra nossa cidadezinha.


 

Simon nos visitou duas vezes em Palmerston North. Conheceu nossos amigos,e ncantou a todos.


 

E eu nao tinha escrito nada sobre ele ate agora por que eu nunca vou conseguir descrever essa pessoa iluminada que cruzou a minha vida e deixou tantas marcas. Meu amigo, dois anos depois de voce ter nos deixado, eu ainda nao te perdoei. Nao consegui fechar o bendito "file"


 

Quando ta tudo uma merda, quero ligar e dividir com voce. Chorar no seu colo. Quando eu estou feliz, rolando de alegria, eu quero dividir com voce, ver voce vibrar comigo tambem!


 

Fica em paz, meu amigo! E me perdoa, foram mais de dois anos tentando fazer a minha voz sair, mas o vazio, a tristeza e a sozinhes nao deixavam... Amo voce.


sexta-feira, maio 27

Tchau Tio Nelson...

Nao tenho nenhuma foto do meu tio pra ilustrar esse post, mas tambem nao preciso de uma. Tenho na memoria e no coracao a imagem nitida desse homem que foi tao especial na minha adolescencia.
Apesar do parentesco, nos so ficamos proximos quando eu tinha uns 11 anos. Fui fazer uma dessas visitas familiares e acabei ficando na casa dele as ferias todas.
Meu tio era um cara controverso.
Nada desse papo de santo. Nunca foi santo, nunca fingiu ser.
Meu tio bebia muito. Jogava a dinheiro. Era dono de boate ( alem de restaurantes). Meu tio tinha amantes. Incentivava os sobrinhos a irem a zona. Fazia tudo errado pros padroes convencionais. Esse meu tio era do balacobaco.
Mas no meio de tanta transgressao, ele tinha o maior coracao do mundo. Ele cuidava de quem quer que fosse, dava empregos para todo mundo, distribuia amor, carinho e dinheiro pra quem estivesse precisando.
Meu tio marcou a minha vida. Me ensinou que voce pode ser uma pessoa boa, sem seguir os 10 mandamentos, sem ler pela cartilha que todo mundo espera que voce leia.

Eu e o meu primo ( filho mais velho do Tio Nelson), eramos namoradinhos. Nos tinhamos 11, 12 anos e faziamos tudo juntos. Sentavamos na mesma poltrona, na mesma cadeira na hora do almoco, iamos a todos os lugares juntos, nao nos desgrudavamos.

E as tias, todas alvorocadas, todas nos nossos pes, pra ter certeza que nos nao iamos fazer "nenhuma bobagem".

Meu tio nos colocava no carro e levava pro restaurante dele com a desculpa que nos iamos "ajudar". Quando nos chegavamos la, ele nos dava uma mesa e mandava os garcons nos tratar como clientes. Eu me esbaldava nos coqueteis de frutas. Me achava tao chic...

Quando iamos pra Lindoia, ele dava a chave do carro pra gente sair cidade afora. Maluco, maluco, eu bem sei. Minha avo ficava alucinada.

Cansei de ouvir minha avo e algumas tias dizendo: voce acha divertido, acha engracado, mas a casa dele nao e ambiente para voce. nao va mais la, minha querida.


E eu ia, claro!

Num desses passeios de carro pela cidade, fomos trazidos de volta pra casa pelo delegado.

Meu tio nos passou um sermao na frente da autoridade, disse que nos pegamos a chave enquanto ele dormia.

O delegado virou as costas, ele jogou a chave de volta pro Sandro com a inequivocada recomendacao:

- Ve se voces dois deixam de ser estupidos e nao me aparecam mais aqui escoltados pela policia!

Nos nao tinhamos nem 13 anos.

Era ele quem me levava pra pular carnaval, que em deixava nadar a noite, que acobertava as nossas estripulias. Com o Tio Nelson, tudo podia. e nos nos divertiamos muito.

Passavamos a noite jogando baralho, pulando no sofa da sala, enchiamos a garagem de sabao em po e ficavamos escorregando pra la e pra ca.

Nunca levamos uma bronca, nunca uma cara feia, nunca uma represalia. Ta feliz, ta divertido? Entao ta otimo...

Eu cresci, meu amor e admiracao por ele nunca diminuiram. Quando eu ja era adulta, me lembro do meu tio vivendo numa gangorra. Horas estava bem, horas tinha perdido tudo. Trabalhava num restaurante aqui, numa pizzaria ali...

Eu o convidei para ser meu padrinho de casamento, ele nao foi por que estava pobre e nao podia me comprar um super presente. Fiquei arrasada, nunca quis o presente dele, queria que ele estivesse ali, comigo.

Sempre tentei manter contato, sempre ia aos restaurantes onde ele trabalhava depois que o dele fechou as portas. O jantar de batizado das minhas filhas foi no restaurante onde ele estava - assim ele passaria a fazer parte da vida das pequenas tambem.

Meu tio nao viajou mundo afora, mas falava da Italia comos e fosse sua terra Natal. Seus restaurantes eram italianos, e ele discutia geografia com os clientes como se ele tivesse crescido no pais da bota.

Com a memoria afiadissima, ele se lembrava do nome dos que iam ao seu restaurante, fazia questao de falar com todo mundo.Nunca conheci ninguem tao carismatico.

No batizado da Anita, levei doze pessoas para jantar la. Meses depois um dos meus convidados voltou sozinho ao restaurante e o Tio Nelson perguntou:

- Continua vegetariano?

O cara tinha um talento para tratar com o publico, que se equiparava ao carinho que ele dispensava aos amigos. Tenho certeza que muita gente esta chorando a sua partida hoje. NAo tenho duvidas que voce tenha marcado muitas vidas, exatamente como marcou a minha.

Tio, va com Deus, descanse em paz. Eu vou te amar pra sempre...

quarta-feira, julho 21

BYE BYE TORMENTA

Tormenta era uma gatinha danada e arteira. Ela foi encontrada numa praia de Las Palmas, e trazida para a republica da minha prima nalu para nao morrer de fome. Vieram ela e a mamae gata, pouco depois dela ter nascido.

A Tormenta nao tinha esse nome por acaso. Ela era danada, espirituosa e da pa virada!

Todos os dias ela mordia os dedos do meu pe enquanto eu dormia. Ela entrava no guarda roupas, derrubava as pranchas de surf que ficam encostadas na parede do apartamento... o bichinho era o O do BOBO! E tambem era linda. brincalhona e a alegria da casa.

Hoje, quando eu cheguei em casa, fui botar as minhas roupas para lavar. uma semana de roupas sujas, mais sete semanas de viagem a minha frente, nao dava pra bobear.

Coloquei as roupas na lavadora e fui chamar a minha prima pra me ajudar a ligar a maquina. Eu sou meio tapada pra essas coisas...
Ligamos a maquina e deixamos ela fazer o seu trabalho.

Pouco depois percebemos que a casa estava quieta demais. nao tinha banze, nao tinha barulho, nao tinha fua. saimos a procura da Tormenta.

Imagine o nosso desespero quando a encontramos dentro da maquina, ainda em funcionamento!!

Infelizmente foi tarde demais, a bichinha ja tinha morrido afogada.

Fomos ate a praia onde ela nasceu e a enterramos. Eu ate agora na consegui parar de chorar... Pobre Tormenta. Foi para o arco iris dos gatinhos...

sexta-feira, julho 9

Good bye, Ron Allard ! Tchau, Ron Allard !


Hoje e um dia muito triste para todos nos que tivemos a oportunidade de conhecer o Ron. Depois de uma curta batalha contra o cancer (maldita doenca), ele nos deixou.


A foto desse post foi tirada no jantar de despedida que eu fiz para esses meus amigos queridos, aqui em casa, antes deles se mudarem de mala e cuia para o Canada.

Dois dias depois do jantar, ele foi internado com fortes dores no estomago,e eu me descabelando de medo de ter sido a minha comida, a causadora das dores.

Infelizmente o problema era mais serio que uma intoxicacao alimentar, e os medicos descobriram tumores no intestino do Ron. A batalha comecava ali. Hoje, poucos meses depois, ja esta tudo terminado.

O Ron foi um cara de garra e fibra. Batalhador, ele se transformou num executivo de sucesso e viajou o mundo com altos postos na area de telecomunicacoes. Uma das suas marcas registradas era implementar politicas que garantiriam que as empresas que ele dirigia, contribuissem com o desenvolvimento/e ou bem estar das comunidades locais.

Como ele trabalhou em varios paises da Africa, Ron teve, atraves de seu trabalho,  a oportunidade de ajudar muita gente. Na sua vida pessoal, a caridade era tambem um ponto forte. Alice e ele chegaram a  doar um poco artesiano para um vilarejo africano, alem de constantemente mandar dinheiro para ex motoristas, ex jardineiros, ex isso e ex aquilo. Eu sempre brinquei que eles eram o caixa forte dos fracos e oprimidos que os conheciam.

Esse e o Ron caridoso, o Ron socialmente consciente, o Ron que ajudava os que passavam pelo seu caminho. O Ron que tinha um coracao enorme.

E tambem havia outro Ron. O Ron, marido da Alice.

Muitas vezes eu me lembro dela estar comigo, sassaricando Bahrain afora, quando ele ligava de uma de suas viagens. Isso por que o Ron viajava como um doido. Ele era baseado em Bahrain, mas era responsavel pelas operacoes de telecomunicacoes de 5 outros paises.

O carinho na voz dela deixava qualquer mal casada se roendo de inveja, e servia de inspiracao para casais mais novinhos, que estavam comecando a caminhada a dois. Ela sempre desligava de bem com a vida. Esse era o Ron carinhoso, cuidadoso, o Ron que fazia a minha amiga feliz, e que por tabela ganhou o meu respeito e admiracao.


Quando ele estava em Bahrain, ela ia para casa fazer almoco para ele. Me lembro dela explicar:

- Eu nao gosto de cozinhar nao, mas gosto de cozinhar para ele. E nao faco isso por que eu precise fazer, nem por que eu tenha que fazer. Faco por que quero. Faco por que me da prazer!


Hoje ele se foi. E a minha amiga vai ter que continuar a caminhada dela sem ele. Nao vai estar sozinha nunca, por que ela e uma pessoa iluminada, e sempre vai ter muitos amigos ao seu lado. Ele nao vai mais estar fisicamente com ela, mas eu tenho certeza que ele vaie star segurando a mao dela, cuidando dela de onde quer que ele esteja.

Sempre!

E eu, amiga, vou sempre estar por perto, por que eu amo voce de montao!



X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X



Today my heart is broken. A wonderful man, a dear friend, left us.


The picture in this post was taken on our last dinner together. I organized a little farewell for Alice and Ron, because they were moving to Canada, his country.

Ron was about to finish his Masters degree, and was totally devoted to it. He even resigned from his job to be able to dedicate more time to his studies, so there was no reason to remain in Bahrain.

Two days later, he was admitted to the hospital with stomach pains. I was terrified it had something to do with my cooking skills, but unfortunately his problem was far more serious than food poisoning.

That day, his battle against cancer started - and today, just few months after, it is all over.

Ron was a successful man who lived in several underdeveloped countries. One of his trademarks as an executive, was his view on social issues and how it was the companies obligation to give back to the communities. Due to his high hierarchy position and his holistic approach, he accomplished lots, specially when he was living in Africa. In his personal life, Ron was also heavily involved with charity and helped many villages in countries he lived. Before leaving Africa, Alice and Ron donated a well to one of the villages in their city. I know the people whose lives he touched, will never forget him.

But these were not his best quality. He was a loving, caring and sweet husband who will leave a huge hole in Alice's life, I have no doubts.

I remember being with her when he called. She always seemed happy to hear from him, she was always uplifted when she hung up!

Ron, you will be missed. Alice, my dear, dear friend, I wish I were by your side. My heart and soul are with you. Always.

Love, love, love!

quinta-feira, junho 24

Assasinatos em defesa da honra

Estou amando o meu novo universo "blog" ! Eu viajo por blogs do mudno inteiro, aprendendo um pouco sobre as fascinantes culturas que eu ainda nao conheco.

Atraves de relatos de outros expatriados, vejo lugares exoticos, atraves de suas lentes e suas perspectivas. Sempre imagino como sera a minha propria visao desses lugares quando eu finalmente conseguir chegar la.

Os blogs me possibilitaram expandir meu circulo de amizades, explorar outros mundos. No mesmo dia, passo pelo Japao, visito a China e ainda dou um role pela Africa.

Essa experiencia me fascina.

Tenho lido bastante sobre a India ultimamente. As vezes me pego divagando sobre as diferencas e similaridades entre as nossas culturas, me lembro de experiencias que tive com indianos morando no exterior, e hoje, muitas de suas atitudes fazem muito mais sentido. Pena que eu demorei tanto a comecar a decifrar os misterios da cultura Indiana.

Hoje eu li um post sobre os "assassinatos em defesa da honra". Ha muitos anos, quando eu era uma menininha, me lemrbo de ver na televisao, homens sendo absolvidos pelo assassinato de suas esposas adulteras. Ja naquela epoca, meue stomago embrulhava.

Como e que alguem pode se sentir no direito de tirar a vida de outra pessoa, seja la por que razao for?

Fiquei arrasada. Vou pra cama com o coracao e a alma pesados!

sexta-feira, junho 4

Tchau Vo!

Hoje a minha avozinha se foi. Ha tempos ela havia se mudado para a UTI e estava la, segurando as pontas, com medo de nos deixar desamparados aqui.

Vo, eu sei que a partir de hoje voce vai poder estar muito mais proxima de nos, e que vai continuar nos protegendo e cuidando de todos os filhos e netos que vce tem aqui embaixo.

Da nossa parte, fica a saudade. O buracao que voce esta deixando. O gosto do paozinho da Vo Ninha, das macarronadas do domingo. Fica a saudade do abraco e do colo que nunca faltou.

Fica a lembranca daquele sorrisao enorme que voce sempre abriu quando via qualquer um de nos.

Fica a certeza que todos os que tiveram a oportunidade de ter te encontrado nessa vida daqui, se tornaram pessoas melhores. Sempre foi impossivel pasasr por perto de ti sem aprender alguma coisa nova, sem sentir aquela paz que sempre emanou de voce.

Vo, eu, a Fabi, a Monica, a Fer somos serem abencoados por termos tido a oportunidade de viver ao seu lado, de ter crescido debaixo da sua asa. Nos aprendemos o significado da palavra generosidade, descobrimos que a bondade e libertadora.

Eu posso dizer que sempre invejei a paz que te acompanhou vida afora, mesmo quando a coisa estava feia, mesmo quando quase ninguem mais tinha esperanca. A sua resposta era sempre a mesma:

- Deus sabe o que faz. Confie nele.

Eu me lembro das pessoas vindo de todos os cantos pedir guarida na sua porta. Voce sempre foi o porto seguro de muita gente. E nao havia discriminacao nao. Do maloqueirinho da rua, ao maraja, todo mundo sempre teve a sua atencao e o seu carinho.

Hoje eu queria estar ai. Para abracar a minha mae, fazer cafune na minha madrinha e dividir essa dor com os meus primos. Queria poder me engalfinhar com a Monica e a Fernanda mais uma vez, discutindo de quem e a Vo. Queria poder estar ai, pra deitar no colo do Pedro Henrique e chorar ate meus olhos ficarem esbugalhados. Queria poder dividir esse sofrimento com o Deco.

Mas o Fabio repitiu hoje o que nos descobrimos quando a avo dele se foi. Esse e o preco que nos pagamos pela vida que escolhemos levar. E nos estamos pagando.

Obrigada Vo, por ter me feito uma pessoa melhor. Obrigada por ter sido tao importante na minha vida. Obrigada por ter me escolhido como sua neta.

domingo, maio 16

Parabens, Ian. Nos amamos voce.


Ian Carr. Nosso amigo, nosso companheiro, nosso parceiro.
Bravo, divertido, bonachao e gritao. Acho que seria necessario um dicionario proprio para descreve-lo. Vivemos momentos muito intensos e muito felizes em Dubai. Eramos vizinhos. Moravamos no mesmo hotel.Fabio trabalhava com ele, mas nos conhecemos no halloween.

Anita e Lia foram la, bater na porta dele, pedir doces, e ele respondeu:

- Voces preferem chocolate ou sardinhas?
- As duas (7 e 9), responderam rapidinho: sardinhas, claro!

Ganharam chocolate, por que o engracadinho nao tinha sardinha coisa nenhuma. Estava so zoando com a cara das pobres menininhas. Como zoava com todo mundo, sempre.

Quando elas chegaram em casa e me contaram o episodio, eu nao tive duvidas, sabia que esse cara ia ficar nas nossas vidas. E ficou.Pra sempre. Naquele halloween nasceu uma amizade linda.

O Ian se apaixonou pelas minhas filhas. Adotou a minha familia, ja que a dele estava a milhares de kilometros de distancia. Ele almocava conosco quando dava, jantava conosco quase todos os dias, e quando ele estava emburrado ou cansado, eu mandava uma marmitinha pra ele nao passar fome. Ian sempre elogiou a minha comida, apesar de eu ser um desastre na cozinha.

Ian foi a reuniao de pais e mestres conosco, Ian levou e pegou crianca na escola, Ian levou a  Anita ao medico comigo, quando ela cismou que estava doente. Tres horas num sol de rachar, num transito do inferno, e ele nao fez uma unica reclamacao. So reclamava de saudade da esposa e dos filhos. 5 ao todo.

O Ian foi assistir a peca de teatro das meninas na escola. Foi a competicao de natacao da Lia. Foi conosco ao supermercado, a farmacia, ao muambeiro que vendia DVDs falsificados.

O Ian jogou baralho com a minha sogra, elogiou as minahs filhas quando elas precisavam mesmo e de um bom puxao de orelhas. Ele deixou as meninas fazerem Maria Chiquinha nele, deixou que elas penteassem os pelos das pernas dele. Muitas vezes. Ian nadava com elas. Corria com elas pela grama. Assistiu Shrek 2 um milhao de vezes. E riu todas elas.

O Ian e aquele cara que saiu correndo pra dar porrada num moleque de dez anos que tinha batido na Anita. Por sorte de todo mundo, o menino ja tinha saido do parquinho quando o Ian chegou la bufando.

O Ian jogava tenis a noite. Ia conosco ao parque aquatico nos fins de semana. O Ian estava sempre mandando torpedinho pra esposa na Nova Zelandia.
O Ian foi com o Fabio comprar meu presente de aniversario de 10 anos de casamento. E fez questao de ser coadjuvante na entrega. Adorava um palco, esse Ian. Uma outra vez, ele foi com o Fabio comprar um celular pra mim. Eu queria preto, eles trouxeram branco. Eu reclamei. Fabio me perdoou. Ian nunca me desculpou. Anos depois ele ainda resmungava que eu era mimada, mal educada e bocuda. E que nao tinha gostado do celular branco.

O Ian, esse mesmo cara ai, nos levou ao cinema, tomou sorvete na nossa casa, foi a procura do gato selvagem que se escondeu dentro do armario da nossa pia. O Ian nos amou como nos somos. cheios de defeitos e de ranzinzisse.

Ele nos ensinou que cerveja nao choca quando entra e sai da geladeira. E como ele riu da nossa cara quando nos juramos por Deus que a birra choca sim, gelou tem que tomar!

Ian deixava a geladeira cheia de latinhas de coca cola pras minhas filhas irem la tomar um refrigerante quando quisessem, ja que na nossa casa a carrasca nunca tinha refris... e a porta da casa ficava destrancada, claro!

Um dia nos fomos embora de Dubai. Voltamos para a Nova Zelandia. Ian em Auckland, nos em Palmerston North. Longe pra dedeu.

Uma vez por mes, o Ian ia nos visitar. Cozinhava pra nos. Brincava com as meninas. Fazia cafunes na Mia e Assistia TV no nosso sofa. Fazia parte da nossa vida, da nossa familia!

Ha pouco tempo, o Ian nos sacaneou. Se levantou da cama, cambaleou e morreu. Ataque cardiaco fulminante. Nos deixou aqui, sem saber o que dizer, sem saber o que pensar, sem saber de nada. Deixou um buraco enorme, um vazio do tamanho do mundo.
Hoje e o aniversario dele. O IAn, esse cara ai, que fez tanta gente feliz, estaria fazendo 49 anos. MAs infelizmente nao deu. Deus achou que ja tava bom, que era hora dele ir la pro palco celeste.

Voce pode ter ido embora meu amigo, mas vai pra sempre morar nos nossos coracoes!!! Nos te amamos. Muito.

sábado, maio 8

Pais substitutos

Quando a Anita (minha filhota mais velha) tinha uns 7 anos, ela me perguntou:

- Mae, se voce e o meu pai morrerem, quem vao ser os meus pais substitutos?

Eu nao estava preparada para essa pergunta. Alem de nao ter nenhum plano de morrer, eu nao conseguia imaginar quem seria bom o suficiente pra cuidar das minhas menininhas. No meu mundo, ninguem alem de nos dois (Fabio e eu) seriamos remotamente bons candidatos. Ninguem servia.

Claro que depois dessa bomba, eu nao conseguia mais pensar em outra coisa, e acabei tendo que conversar com o Fabio sobre isso.

Nossos pais? Fora de cogitacao. Ha uma otima razao para a expressao"crianca criada pela avo"... e essa mesma razao ja tirou os quatro avos do pareo imediatamente.

Se nos fossemos catolicos, os padrinhos seriam a opcao obvia. Mas no nosso caso, a logica nao se aplica. Primeiro por que Anita e Lia tem padrinhos diferentes e separar as meninas esta fora de cogitacao. Depois, Eu escolhi as madrinhas, Fabio escolheu os padrinhos...e os pares nao batem.

Eu sou filha unica, nao tenho nenhuma "tia"pra chamar pra acao.

Fabio, por sua vez, tem dois irmaos. Um deles e incrivel, maravilhoso e divertidissimo. Tao divertido que se nos dessemos as meninas para ele, elas JAMAIS teriam que lavar atras das orelhas, ou dormir na hora certa.

Por sorte nossa, ha o segundo irmao. E se as meninas acabassem com esse ai, qualquer assistente social ficaria em paz. Alem do mais, ele ja tem duas meninas que sao bem equilibradas, bem educadas e parecem felizes.

Contatamos o pobre irmao, que nem imaginava o motivo da conversa.

Explicamos tudo pra ele, pedimos pra ele conversar com a esposa (que e madrinha da Lia) e ficamos no aguardo. Pouco tempo depois ele ja foi avisando que eles tinham conversado e que se alguma coisa nos acontecesse, eles cuidariam das nossas filhas como se fossem deles.

Anita, tao pequenininha, ja era toda praticidade. Ela nem tinha medo da morte propriamente dita, ela estava mesmo e preocupada com o futuro, com a vida dela e da irma, caso alguma coisa horrivel aconteccesse conosco!

Fizemos o testamento, "deixamos"as meninas para os meus cunhados, e confesso que ate eu fiquei mais tranquila com o arranjo...

domingo, abril 18

A mortalidade


Eu me lembro quando tinha uns 4 anos e descobri que as pessoas morrem. Me lembro do medo, da ansiedade, da angustia de achar que eu ia acordar no dia seguinte e (olha a ingenuidade) estar morta!
Eu era tao pequena que nem entendia que se eu morresse, nao ia acordar na manha seguinte. Era isso. Fim de papo. Fim da trilha!
Me lembro de dormir na casa da minha avo, e a pobrezinha dormir no chao, ao lado da minha cama, pra eu poder ficar segurando o dedo dela a noite inteira. Nao, eu nao queria sair da minha cama. E tambem nao queria largar o bendito dedo!

Tambem me lembro de uma conversa ultra intelectual (la pelos 6 anos) com a minha mae:

- Se tiver uma guerra nuclear todo mundo morre?

- Morre.

- Eu morro. Voce morre... mas a minha avo la em Serra Negra tambem morre? (eu morava em Campinas, uns 200 Km de Serra Negra).

- Morre.

- Mas nao sobra ninguem?

- Nao.

- E por que alguem ia ser idiota de comecar um negocio desses?

Hoje eu tenho 38 anos, e ninguem conseguiu responder a pergunda da Inaie de 6 anos de idade!