domingo, fevereiro 23

Meu mundo mudou...de novo / My world has changed...once again



Mais uma vez o meu mundo mudou. Mais uma vez a minha realidade não tem nada a ver com o meu ontem.
Eu sei que já faz seis meses, que é hora de eu aceitar que tudo mudou. É hora de reagir, de encarar a nova realidade, de tocar em frente. As coisas são novas, as pessoas diferentes e a minha perspectiva é outto. O meu lugar no mundo, mais uma vez mudou.
Eu sempre vi essas mudanças todas como um universo inteiro se abrindo á minha frente.
Já foram seis países, várias profissões e inumeros caminhos diferentes que eu resolvi trilhar. Todas as vezes a sensação foi parecida, mas dessa vez tudo é diferente.
Deixei para trás um mundo onde eu cabia perfeitamente. onde eu me sentia útil e parte da engrenagem. Um dia a dia onde as pessoas que me rodeavam tinham muito em comum comigo  e onde nossos sonhos eram semelhantes.
Deixei um lugar onde eu finalmente me encontrei - para aterrisar em um vazio.
Da agenda lotada e o coração cheio de sentimentos transbordantes, eu acabei vindo parar num deserto. Num deserto de emoçoes, num deserto de perspectivas.
Eu não tenho vontade de sair da cama. Quando me arrasto para fora da cama, não tenho vontade de sair do quarto, depois da casa... como se o mundo fosse uma imensa cebola - e eu tivesse que desbravar cada camada dessa cebola. Uma a uma.
E no fim, depois que eu finalmente chego á casca... não há nada.
Quando penso em coisas que me dão prazer, não consigo imaginar nada.
Faço tudo o que eu tenho que fazer, não me entendam mal. Ligo o piloto automático e vou cumprindo tarefas...uma depois da outra. tarefas que não em acrescentam nada, que não me trazem nem alegria, nem prazer, nem a sensação do dever cumprido.
Eu olho á minha volta  e tudo o que eu quero fazer é me encaracolar num cobertor - sim, eu sei que a temperatura está escaldante lá fora, eu sei! e ficar ali, enroladinha. Quietinha. Esperando o tempo passar.
A campainha toca e eu não tenho vontade de atender. O telefone toca, eu não tenho vontade de atender.
Fico ali, esperando a próxima tarefa, o próximo trabalho.

E quando eu tento olhar para o futuro, anos á frente, tudo o que eu vejo é o mesmo cobertor. Numa casa vazia, quieta. Só a televisão falando sozinha e os gatos ronronando no meu colo.

++++++

Once again  my whole  world has changed. Once again my reality has nothing to do with yesterday's version of it.
I know it's been six months , I know it is time for me to accept that everything changed and my life is just different now . Things are new , people are nothing like the old ones I knew and our perspective of the world is different too . My place in the world , has once again changed .
I always saw all these changes as a whole universe opening up in front of me . An universe of opportunities and excitement.
i lived in six countries , had several career changes and countless different paths I chose to explore . Every time I felt a mix of excitement and adventure, but this time it is all different .
I left behind a world where I fit perfectly in. Where people needed me. Called me for help .
I left a place where I finally belonged . I felt loved and cared for.
From a life where it all seem to fit, I landed in the middle of the desert. An emotional desert where I feel odd, where I feel different, where I struggle to be accepted.
Most days, I have no desire to get out of bed . When I finally drag myself out of it , I have no desire to leave the room , then the house ... as if the world was a huge onion - and I had to peel it's lawyers, one by one, from inside out.
And when I finally get out of the giant onion, I look around and there is nothing...
I can't even remember what used to excite me. I think what would make me smile...and nothing comes to mind.
I do everything I have to do , don't get me wrong . I turn on the autopilot and fulfill my obligations ... one after another . Tasks that do not add anything to my being,  that do not bring me  joy,  pleasure, or a sense of mission accomplished. Nothing.
All I want to do is curl up, get a blanket and wait for time to pass.
The bell rings and I have no desire to answer the door . The phone rings , I have no desire to pick it up .
I stand there , waiting for the next task, for the next appointment, for the next obligation.


And when I try to look into the future , years ahead , all I see is the same blanket. An empty , quiet house. Only the television talking to herself and the cats purring on my lap .



27 comentários:

  1. Ei, psiu!
    Nós sabemos que isso passa, que vc é guerreira e que, mesmo com o cobertor sendo mais aconchegante, vc faz acontecer!
    Força na peruca!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sei, minha querida...mas as vezes é do balacobaco, viu...

      Excluir
  2. Estás triste ,por vezes acontece.

    Mas logo, darás um jeito nisso e estarás firmona...

    Sei bem que dá até raiva quando as pessoas nos acham fortes e que por isso sempre aguentam, suportam bem a tudo.

    Mas é bem verdade! Quem é assim, não se entrega. Fica amuada um pouco e depois, levanta e segue! beijos,chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pelo carinho Chica! Eu queria mesmo era o contato do Ombudsman divino, pq dizem que o frio nunca é maior que o cobertor, mas to achando que erraram na mão dessa vez!

      Excluir
  3. Respostas
    1. hahahaha agora sei com certeza à quem puxou!! ;)
      Sei bem o que está sentindo, pois deixou o ninho, o lugar que se sentia mais você. Eu ainda tenho esse drama em mim, mas ao contrário de você, ainda não encontrei o meu lugar, mas lugares onde deixei um cadinho de mim pelo caminho e por fim, sentir-se inteira é algo que talvez nunca mais sinta, mas não podemos entregar os pontos e perder as esperanças. Vamos colocar mais calor fora do cobertor?
      Beijus,

      Excluir
  4. Aiii...amiga...que fasesinha desgraçada essa que você esta passando agora, mas acredita que vai melhorar. Lembra do que conversamos, alem dessa fase( que esta braba), tenho certeza que vai melhorar quando encontrar o TEU circulo de amizades que possa te dar um suporte e volte a rir como fazia naquelas fotos que você postava com os amigos de la!!
    Força amiga, um dia apos o outro e nos estamos aqui pra te apoiar!!
    Beijao!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tati, é por pessoas como você que eu acredito que tudo isso vai sim melhorar! beijo e obrigada pelo carinho, querida.

      Excluir
    2. Eu não tenho a menor duvida que vai melhorar! Você é uma pessoa do bem e muito alto astral, o mundo conspira a teu favor amiga, dê tempo ao tempo!
      Rs...tua mãe lê teu blog é..rs?
      Beijão!

      Excluir
  5. Inaiê,sei muito pouco da tua vida,mas do pouco que eu sei,uma certeza:tu não é mulher de se entregar! Levanta,sacode a poeira,o cobertor, e enfrenta! Essa fase ruim vai passar rapidinho e muitas coisas boas estão te esperando,tu vais ver!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. To enfrentanto Madi...To enfrentando. mas é barra as vezes viu...

      Excluir
  6. Amiga... <3 <3 <3
    Queria poder somente te dar um abraço, porque nessas horas deprês, as palavras faltam. Mas saiba que te entendo. Continuo orando por você... te amo!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu seiiii. Não para o rosário nao, mulher!!!!

      Excluir
  7. Como você sente falta do Barein, né? Será que ele parecia mais com o brasileiro? Talvez esse desabafo seja um sinal que ta na hora de rever os amigos que você deixou lá... Espero que esteja melhor agora!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bahrain é mesmo um lugar especial. Sinto muita saudade sim, cris...mas o bonde anda, né? E hoje a minha realidade é outra... :-)

      Excluir
  8. Inaie, essa fase de adaptacao eh muito lasqueira mesmo. Ter que lutar pra conseguir algo que vc ja teve, ter quer recomecar... So entende quem ja passou por isso.
    Eu, que n tenho metade do seu rebolado, consegui sair dessa... VC vai conseguir tb!

    Forca querida!!!

    Beijo grande.

    Rebeca
    xo

    ResponderExcluir
  9. Estou vivendo praticamente a mesma coisa. Readaptação nunca será fácil, ainda mais quando abrimos mão de tantas coisas, de toda uma vida. Bom, cheguei agora por aqui, vim retribuir sua visita no meu blog, mas já vi que terei muitas coisas em comum para acompanhar. Só me resta te desejar força. É o que desejo a mim mesma todos os dias ao levantar. Tudo de bom!
    abraços,
    Ana

    ResponderExcluir
  10. Estive nesse seu lugar, Inaie. Não uma, mas muitas vezes. Sinto muito. Espero que você tenha forças (ou ajuda) para reagir. Fico a disposição se você quiser desabafar.
    Um beijo

    ResponderExcluir
  11. Opa. Isso está me cheirando a depressão... não deixe essa tristeza tomar conta de vc, reaja o mais rápido possível. Só posso te emanar energias superpositivas, espero que ajude.

    ResponderExcluir
  12. Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe ... Xô depressão ... Força minha cara ...

    ResponderExcluir
  13. Força Inaie! Espero que essa fase passe logo, adaptação em um novo pais nunca é fácil, mas você conseguiu nos outros e vai tirar de letra ai também.
    Estou na torcida!

    Um abraço bem apertado!

    ResponderExcluir
  14. Sei bem como é isso... Fique firme... as coisas vão se ajeitar...

    Kisu!

    ResponderExcluir
  15. Cade voce?? Manda noticias!!! Agora eu sou a que vai ficar atras...rs!!!

    ResponderExcluir
  16. Isso realmente não se parece nada com você!!!
    Tenho acompanhado um pouco essa sua fase difícil. Não é fácil fazer escolhas, quando das mesmas dependem toda a família. Tem que ver se em ce momento o problema " você (e nesse caso tentar "mudar", vencer), ou se o problema é o ambiente, e aí não vai adiantar tentar mudar, é o ambiente todo que precisa de mudança!!!

    Apesar de gostar muito de onde vivo e da minha vida, em 5 anos não encontrei pessoas com sonhos e coisas em comum comigo, e isso pesa sim no meu dia a dia :(
    Mas por outro lado, sempre fui meio "diferente" e "pária" e as minhas diferenças só se acentuaram nos últimos anos. Não é fácil encontrar um "grupo" ao qual pertencer!!! Inclusive tenho muito pouca coisa em comum com os "brasileiros na França" ou "estrangeiros na França", não sentimos a mesma coisa. Tenho que encontrar outro grupo.

    ResponderExcluir
  17. Há uma coisa que resulta comigo quando passo por situações semelhantes: se a vida lá fora não está interessante, volto-me para meu mundo interno. Trato de investir em coisas que me deixem feliz, me transformem e que não precisem necessariamente da presença de amigos, etc. Foi assim que aprendi a bordar, fiz uma nova faculdade e novo mestrado em Portugal, cantei em coro, além de pintar porcelanas. Na Suíça voltei a tocar piano depois de 30 anos e aprendi um novo instrumento musical... Vale tudo para mantermo-nos motivadas para a vida. E vc? Não tem nem uma coisa nova que gostaria de aprender? Os amigos virão com o tempo, novas turmas se formarão, é preciso apenas dominar a ansiedade, dar tempo ao tempo, permitir-se investir na descoberta de novos prazeres e ganhar o mundo outra vez. Beijo.

    ResponderExcluir
  18. Inaie, é um texto triste, mas você conseguiu experessar exatamente o que eu senti e ainda sinto um pouco. Espero que passe e você fique bem

    ResponderExcluir